Pesquisadores compartilham experiências para conservação de solo no plantio da cana

Pesquisadores compartilham experiências para conservação de solo no plantio da cana

Sessão técnica reuniu os palestrantes Jairo Antonio Mazza, Tedson Luiz Freitas Azevedo e Isabella Clerici de Maria

As recentes alterações no modo de produção da cana-de-açúcar, que passou de manual para mecanizada, resultaram em novos desafios na conservação do solo. O manejo totalmente mecanizado, do plantio à colheita, com trânsito intenso sobre solo, considerando que muitas operações mecanizadas e diferentes equipamentos são necessários, impacta significativamente o solo.

O assunto foi debatido  na  sessão técnica sobre “Desafios para a conservação do solo no cultivo da cana de açúcar”, apresentada na 20ª. Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água, que contou com palestras do professor Jairo Antonio Mazza (Esalq-Usp), pesquisador Tedson Luiz Freitas Azevedo (Grupo Zilor), e a professora Isabella Clerici de Maria (IAC).

O pesquisador do Grupo Zilor, Tedson Azevedo,  propõe adaptações no sistema de produção de cana-de-açúcar, visando produtividades competitivas e qualidade ambiental. “As práticas estão focadas na sistematização do terreno com atenção especial a redução da quantidade de carreadores presentes na lavoura”, explica Azevedo, acrescentando que os carreadores são áreas de infiltração de água da chuva quase zero, pois essa água é obrigatoriamente conduzida para dentro da área cultivada com cana e se acumulando, principalmente, nas bacias dos terraços potencializando o rompimento do mesmo e, como consequência, o aparecimento de erosão.

“Outro procedimento conservacionista que estamos adotando é o plantio de leguminosas e braquiárias na rotação com cana e o preparo do solo profundo e localizado”, explica.  Todos esses procedimentos, segundo ele,  ajudam na proteção do solo, favorecem a infiltração da água reduzindo o escoamento superficial, aumentam a quantidade de biomassa (matéria orgânica), diminuem as perdas de nutrientes por lixiviação, contribuindo assim para o incremento na produtividade.

De acordo com a pesquisadora do IAC, Isabella Clerici De Maria, responsável por pesquisas em manejo e conservação do solo na canavicultura,  o principal problema na cultura atualmente é a compactação do solo, com prejuízo para a estrutura do solo e para a infiltração de água, o que pode levar ao aumento de processos erosivos. “Em nenhuma outra cultura a pressão sobre o solo é tão grande”, afirma.

A flexibilidade da época do plantio, por exemplo, pode ser um problema se áreas com maior risco de erosão forem plantadas na época mais chuvosa, mas, em alguns solos, é possível realizar o plantio em período mais seco. Assim, o fator flexibilidade passou a integrar o planejamento conservacionista. “Mas as safras mais longas e as colheitas em épocas em que a umidade do solo está muito alta provocam compactação”, completa a pesquisadora.

Outra ocorrência que pode prejudicar o solo é a retirada da palha para cogeração de energia. “O recolhimento da palha deve ser feito com critério, de forma que esse resíduo seja mantido em épocas e locais críticos para ajudar no controle da erosão”, orienta.

Para os consultor da Esalq, Jairo Antonio Mazza, os estudos mostram que é preciso remodelar o desenho dos canaviais, o carreador, o alinhamento das fileiras de cana para posicionar a compactação exatamente na entrelinha. “Com isso fica uma zona de tráfico e uma zona menos compactada”, diz Mazza, lembrando que isso implica em abandonar uma convenção e repensar qual a forma de adotar tecnologia de controle de tráfego, desenhar a área, e ajustar modelos de conservação adequados a solo. “E isto nos traz a uma nova realidade para poder aproveitar o beneficio da colheita sem o espalha fogo e sem problema de conservação”.  

Segundo Mazza, as práticas conservacionistas ainda geram incertezas. Elas precisam ser avaliadas em diferentes condições para que possa ser feita uma recomendação segura, até porque o que se aplica em uma região pode não ser adequado para outra.

“A pesquisa não tem absoluta certeza, mas tem um rumo razoavelmente bom. Onde tem projetos mais elaborados tem uma eficiência grande de conservação e nesses locais os resultados são interessantes”, afirmou Mazza.

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