ILPF: uma solução para o presente e uma alternativa para o futuro

ILPF: uma solução para o presente e uma alternativa para o futuro

A ILPF como sistema sustentável foi discutida por pesquisadores durante a V RPCS/ II SBSA

Um dos grandes desafios é como, ao mesmo tempo, intensificar o uso em área agrícola e aumentar a eficiência na produção? Diante desse cenário, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, ou ILPF, surge como uma alternativa viável de produção e recuperação de áreas degradadas.

Tema do último dia (25) da V Reunião Paranaense de Ciência do Solo e II Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, em Maringá (PR), a “Integração Lavoura-Pecuária-Floresta como sistema de produção sustentável de grãos e carne no Arenito Caiuá”, foi discutido pelos palestrantes, Sérgio José Alves, pesquisador do Instituto Agronômico Paraná (Iapar), em Londrina (PR), Flavio Jesus Wruck, pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril, em Sinop (MT) e Lourival Vilela, pesquisador da Embrapa Cerrados, em Brasília (DF).

A Integração possui vários componentes que podem variar de Agropastoril, integração lavoura-pecuária (ILP); Silviagricola, integração lavoura-floresta (ILF); Silvipastoril, integração pecuária-floresta (IPF) ou Agrossivilpastoril, integração das três atividades, lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Segundo Lourival Vilela, pesquisador da Embrapa Cerrados, para intensificar o uso em área agrícola e aumentar a eficiência na produção, a ILPF entra como uma solução sustentável no presente e no futuro, além da sua presença cênica – que remete a paisagens bucólicas.

O sistema incorpora a pecuária e produção de grãos com o componente floresta, esta integrando por último pois depende do nicho que a área integra para a utilização da madeira. “A Integração Lavoura-Pecuária é um sistema que agrega todas as boas práticas. Então o que estamos buscando? É ampliar a área de produção em pastagens de baixa produtividade, incorporar essas áreas tanto para a produção de grãos, como fibras, energia”.

“Então é um sistema que, se estou trabalhando com plantio direto, com rotação soja, milho, algodão, girassol e pastagem dentro do meu sistema, estou conferindo uma maior diversificação, minimizando também riscos, tanto como produção quanto financeiro”

Vilela também afirma que se trabalharmos em áreas grandes já abertas de pastagens com baixa produtividade, através da Integração é possível expandir a produção de alimentos, além de aumentar a produtividade de carne e leite. “Eu digo sempre que a gente pode dobrar a nossa produção sem desmatar um palmo quadrado de área”.

A ILPF pode ser utilizada em todos os tipos de solos, mas em solos arenosos, tema do evento, possui um importante papel. De acordo com o pesquisador, por serem solos mais frágeis é preciso trabalhar primeiramente com o sistema plantio direto. “Se eu estou numa região onde tenho pecuária e agricultura, porque não juntar essas duas atividades e aproveitar da interação dessas atividades. Beneficiar do sinergismo que essas duas atividades promovem ganhos em termos de produção e na melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo”.

Sobre o uso de diferentes espécies arbóreas no sistema, o pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril, Flavio Jesus Wruck, pontuou algumas espécies de árvores que podem ser utilizadas na ILPF, como o nim indiano, gliricídia, teca, eucalipto, mogno africano, seringueira, entre outras.

Já o pesquisador Sérgio José Alves, do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), sobre o tema mostrou que no estado do Paraná existem sistemas e propostas tecnológicas que convergem com a tentativa de se promover a melhoria do uso do solo, da qualidade ambiental e produtiva dos sistemas de produção tropicais.

Vilela lembra também que a ILPF não apresenta como única solução sustentável. “É um dos caminhos, não o único caminho pois não é uma solução para todos os problemas. ”

Dentre as várias vantagens, pode-se destacar o conforto térmico aos animais (sombra), ciclagem de nutrientes, fixação biológica de nitrogênio (N), drenagem do solo, fonte de alimento para gado, sequestro de carbono, entre outros. Com a adição do componente floresta, a árvore entra também como uma fonte de renda extra para a propriedade ou como uma atividade de maior importância econômica no sistema.

O evento é uma promoção do Núcleo Estadual Paraná da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (NEPAR- SBCS) e realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Cocamar Cooperativa Agroindustrial, contando com a parceria do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), entre outros. Os eventos contaram com importante apoio da Rede de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Alanis Hitomi I. Brito
Estagiária de Jornalismo

Share this post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *